Nega Véia Meu Amor
Não sei quantos são os que moram dentro do seu coração, Ponte Preta. Sei, apenas que sou um deles e isso me basta. Quantos somos, os números que colocam nos jornais, ora!, são números apenas. E em si se calam.
Nossos meninos jogam e, na arquibancada, comendo o arame do alambrado todos os corações alvinegros se alimentam. Não somos muitos. Somos apenas um só. E é isso o que muitos não entendem quando olham as arquibancadas e nos veem gritando o seu nome. Somos um só e muitos. É assim que vejo nosso estádio, sempre lotado por apenas uma pessoa. E um pouco dessa massa sou eu, acompanhado de torcedores que já se foram, e dos muitos que estão chegando.
No grito e gol eu berro sozinho. E assim também choro as minhas dores; pois a dor não é uma coisa que a gente reparte nem mesmo com o melhor amigo. O Majestoso sempre será um imenso campo onde estarei com você, abraçado a seu corpo, rolando na grama; e que o sol seja sempre a nossa única testemunha; e que a lua me perdoe, mas o nosso amor não precisa de refletor.
Não sei dos outros. Nada sei e jamais desejei saber da vida dos homens que somente se apaixonam por si próprios, diante do espelho que a rotina da ganância lhes acena todas as manhãs, à soberba da manchete de uma vitória. Vivo por mim e isso significa andar com as minhas dores e alegrias. E disso você já sabe muito bem, Nega Véia.
Sempre seremos apenas um no duro cimento da arquibancada. Quem possui o verdadeiro olhar do amor saberá enxergar um estádio lotado de apenas um torcedor. Somos quase nada, Nega Véia, para os homens que buscam números e relembram antigas vitórias. Não sabem eles que, todos os dias, todas as noites, nos mais distantes bares, nas mais desconhecidas ruas escuras, a gense se namora. E que você os perdoe: eles não sabem amar. Apenas isso.
Hoje, Ponte Preta, alguns falsos torcedores planejam despejá-la de sua casa. Acenam com uma nova mansão, ampla garagem, churrasqueira e piscina. Balela de cem milhões de reais. Conversa fiada de filho que quer pôr a mãe num asilo. Mas nós que somos a imensidão de um só apaixonado não deixaremos que isso aconteça. Fique tranquila, durma em paz. Estamos todos tomando conta do seu jardim. E da sua casa. Bom dia.
Zeza Amaral, 17/02/2011
Nossos meninos jogam e, na arquibancada, comendo o arame do alambrado todos os corações alvinegros se alimentam. Não somos muitos. Somos apenas um só. E é isso o que muitos não entendem quando olham as arquibancadas e nos veem gritando o seu nome. Somos um só e muitos. É assim que vejo nosso estádio, sempre lotado por apenas uma pessoa. E um pouco dessa massa sou eu, acompanhado de torcedores que já se foram, e dos muitos que estão chegando.
No grito e gol eu berro sozinho. E assim também choro as minhas dores; pois a dor não é uma coisa que a gente reparte nem mesmo com o melhor amigo. O Majestoso sempre será um imenso campo onde estarei com você, abraçado a seu corpo, rolando na grama; e que o sol seja sempre a nossa única testemunha; e que a lua me perdoe, mas o nosso amor não precisa de refletor.
Não sei dos outros. Nada sei e jamais desejei saber da vida dos homens que somente se apaixonam por si próprios, diante do espelho que a rotina da ganância lhes acena todas as manhãs, à soberba da manchete de uma vitória. Vivo por mim e isso significa andar com as minhas dores e alegrias. E disso você já sabe muito bem, Nega Véia.
Sempre seremos apenas um no duro cimento da arquibancada. Quem possui o verdadeiro olhar do amor saberá enxergar um estádio lotado de apenas um torcedor. Somos quase nada, Nega Véia, para os homens que buscam números e relembram antigas vitórias. Não sabem eles que, todos os dias, todas as noites, nos mais distantes bares, nas mais desconhecidas ruas escuras, a gense se namora. E que você os perdoe: eles não sabem amar. Apenas isso.
Hoje, Ponte Preta, alguns falsos torcedores planejam despejá-la de sua casa. Acenam com uma nova mansão, ampla garagem, churrasqueira e piscina. Balela de cem milhões de reais. Conversa fiada de filho que quer pôr a mãe num asilo. Mas nós que somos a imensidão de um só apaixonado não deixaremos que isso aconteça. Fique tranquila, durma em paz. Estamos todos tomando conta do seu jardim. E da sua casa. Bom dia.
Zeza Amaral, 17/02/2011
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